Tratamentos

Ceratocone

Ceratocone - Foto 1

Diagnóstico e Tratamento

O que é ceratocone?

O ceratocone é uma doença da córnea, estrutura transparente localizada na parte anterior do olho e responsável por grande parte do poder de focalização da visão.

No ceratocone, a córnea sofre alterações progressivas em sua estrutura, podendo se tornar mais fina, curva e irregular. Essas alterações provocam um astigmatismo irregular, fazendo com que a qualidade da visão diminua.

À medida que a doença progride, os óculos podem deixar de corrigir adequadamente a visão, tornando necessários outros recursos para que o paciente consiga enxergar com melhor qualidade.

Um dos sinais que pode chamar a atenção é a mudança frequente do grau, principalmente do astigmatismo, associada à piora da qualidade visual.

A doença costuma surgir na adolescência e, mais raramente, no início da vida adulta. Pacientes mais jovens merecem acompanhamento especialmente cuidadoso, pois podem apresentar maior possibilidade de progressão.

Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento do ceratocone devem considerar não apenas o grau dos óculos, mas também as características da córnea e sua evolução ao longo do tempo.

Coçar os olhos pode piorar o ceratocone?

Sim.

O hábito de coçar os olhos está associado à progressão e ao agravamento do ceratocone e deve ser evitado.

Pacientes com alergia ocular frequentemente apresentam coceira e, nesses casos, o controle da alergia e da superfície ocular fazem parte do acompanhamento.

Quem tem ceratocone não deve coçar os olhos.

A identificação e o tratamento adequado das causas da coceira são importantes para reduzir esse hábito e fazem parte do cuidado individualizado do paciente.

Como saber se o ceratocone está progredindo?

O acompanhamento não deve considerar apenas se o grau dos óculos mudou.

Exames como topografia e paquimetria da córnea, além da tomografia da córnea, como o Pentacam®, permitem avaliar a curvatura, a espessura e outras características da córnea ao longo do tempo.

A tomografia permite também avaliar a superfície posterior da córnea, onde alterações precoces podem contribuir para a identificação do ceratocone e de sinais de progressão da doença.

Em casos selecionados, exames complementares, como mapa epitelial da córnea e avaliação biomecânica, podem contribuir para uma análise mais detalhada.

Identificar a progressão é especialmente importante porque pode modificar a indicação do tratamento. Enquanto algumas abordagens têm como objetivo melhorar a qualidade da visão, outras são indicadas principalmente para reduzir o risco de progressão da doença.

Tenho ceratocone. Meus filhos podem ter?

Existe componente genético no ceratocone, e familiares de pessoas com a doença apresentam risco maior de desenvolver alterações corneanas quando comparados à população geral.

Por isso, filhos e irmãos de pacientes com ceratocone merecem atenção, especialmente durante a infância, adolescência e início da vida adulta.

Quando houver suspeita, alteração do astigmatismo ou outros sinais, a avaliação pode incluir exames específicos da córnea, como topografia e tomografia corneana.

A avaliação precoce pode ser especialmente importante em familiares jovens, que ainda estão em uma fase da vida em que a doença pode apresentar evolução.

Qual é o tratamento do ceratocone?

O tratamento do ceratocone depende de duas questões principais:

A doença está progredindo?

Qual é a qualidade da visão do paciente?

Essas duas respostas ajudam a definir a conduta.

Alguns tratamentos têm como objetivo evitar ou reduzir o risco de progressão do ceratocone, enquanto outros são utilizados principalmente para melhorar a qualidade da visão e promover a reabilitação visual.

A escolha do tratamento é individualizada e pode envolver diferentes abordagens, como crosslinking da córnea, anel intracorneano, lentes de contato especiais e, em situações específicas, transplante de córnea.

Crosslinking da córnea — evitar a progressão

O crosslinking da córnea é um tratamento realizado com o objetivo de aumentar a resistência biomecânica da córnea e reduzir o risco de progressão do ceratocone.

É especialmente importante em pacientes nos quais os exames demonstram que a doença está evoluindo e em pacientes jovens, que apresentam maior possibilidade de progressão.

O objetivo principal do crosslinking não é retirar o grau ou melhorar diretamente a visão, mas estabilizar a córnea e evitar que o ceratocone continue progredindo.

A indicação é individualizada e considera fatores como a evolução dos exames, as características da córnea e sua espessura.

Anel intracorneano — melhorar a visão

O implante de segmentos de anel intracorneano é indicado com o objetivo de modificar a curvatura e reduzir a irregularidade da córnea, buscando melhorar a qualidade visual e/ou facilitar a correção da visão com óculos ou lentes de contato.

A indicação depende das características da córnea e da avaliação individual de cada paciente.

O anel intracorneano não deve ser entendido como uma solução única para todos os casos de ceratocone. Seu papel no tratamento depende, entre outros fatores, da forma da córnea, do padrão de irregularidade e dos objetivos da conduta.

Experiência e pesquisa em anel intracorneano

O tratamento do ceratocone e o implante de segmentos de anel intracorneano também fizeram parte da formação acadêmica e da produção científica da Dra. Juliane Santos.

Com formação e atuação na área de Córnea, a Dra. Juliane Santos desenvolveu, durante seu doutorado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pesquisa relacionada ao impacto do implante de segmentos de anel intracorneano na visão e na qualidade de vida de pacientes com ceratocone.

Sua atuação científica inclui estudos relacionados ao ceratocone e ao impacto do tratamento com segmentos de anel intracorneano.

Produção científica sobre ceratocone e anel intracorneano

Entre os trabalhos científicos relacionados ao tema estão:

Visual perception changes and optical stability after intracorneal ring segment implantation: comparison between 3 months and 1 year after surgery

Juliane de Freitas Santos Paranhos et al.

Clinical Ophthalmology, 2011

O estudo prospectivo avaliou alterações na percepção visual e a estabilidade óptica após o implante de segmentos de anel intracorneano, incluindo a avaliação de pacientes com ceratocone.

A pesquisa está relacionada à formação acadêmica e à produção científica da Dra. Juliane Santos na área de Córnea, com afiliação à Universidade Federal de São Paulo.

Psychometric properties of the NEI-RQL-42 questionnaire in keratoconus

Colm McAlinden, Jyoti Khadka, Juliane de Freitas Santos Paranhos et al.

Investigative Ophthalmology & Visual Science, 2012

Lentes rígidas e esclerais — reabilitação visual

As lentes de contato rígidas e esclerais têm papel importante na reabilitação visual de pacientes com ceratocone.

Quando a irregularidade da córnea faz com que os óculos já não proporcionem boa qualidade visual, as lentes especiais podem funcionar como uma superfície óptica mais regular e, por isso, proporcionar uma melhora importante da visão.

As lentes não impedem a progressão do ceratocone. Seu principal objetivo é melhorar a qualidade visual.

A escolha entre lente rígida, lente escleral ou outro desenho depende das características da córnea, da visão obtida com a correção, do conforto e da adaptação de cada paciente.

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Transplante de córnea — quando pode ser necessário?

Em casos específicos de ceratocone, outras abordagens podem não proporcionar uma qualidade visual adequada ou a córnea pode apresentar alterações que tornem necessário considerar um procedimento cirúrgico mais avançado.

Nessas situações, a avaliação pode incluir a indicação de transplante de córnea, de acordo com as características e necessidades de cada paciente.

A escolha da técnica depende da região e das camadas da córnea envolvidas, podendo, em casos selecionados, ser considerada uma técnica como o transplante lamelar anterior, entre outras possibilidades indicadas conforme a avaliação oftalmológica.

Ceratocone: tratar a progressão e melhorar a qualidade da visão são objetivos diferentes

Um ponto importante no tratamento do ceratocone é compreender que diferentes procedimentos podem ter objetivos diferentes.

O crosslinking da córnea, por exemplo, é utilizado principalmente com o objetivo de reduzir o risco de progressão da doença.

Já tratamentos como o anel intracorneano e as lentes rígidas ou esclerais podem ser utilizados, conforme cada caso, para melhorar a qualidade da visão ou facilitar sua correção.

Por isso, o tratamento do ceratocone deve ser individualizado. A melhor abordagem depende da progressão da doença, das características da córnea, da qualidade visual e das necessidades de cada paciente.

Dra. Juliane Santos — Especialista em Córnea e Ceratocone

A Dra. Juliane Santos é médica oftalmologista com formação e atuação na área de Córnea, incluindo experiência acadêmica, científica e clínica relacionada ao ceratocone.

Sua formação na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a atuação em Córnea, o doutorado e a produção científica relacionada ao ceratocone e ao anel intracorneano fazem parte de sua trajetória profissional na avaliação e no tratamento de doenças da córnea.

A avaliação do paciente com ceratocone considera a evolução da doença, os resultados dos exames, a qualidade da visão e as características individuais da córnea, permitindo definir quais tratamentos podem ser mais adequados para cada situação.

Agende uma avaliação com a Dra. Juliane Santos para realizar o acompanhamento individualizado do ceratocone e entender as possibilidades de tratamento para o seu caso.

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